Curso de Condução Todo-o-Terreno

Formação

É uma turma variada, a que se propõe a aprender as bases da condução fora-de-estrada, tanto nas viaturas como nos perfis de condutor. O que os unirá?

Curso de Condução Todo-o-Terreno

Temos um mapa connosco e uma direcção vaga para onde queremos ir. Estamos na costa oriental australiana, onde o terreno é uma incógnita e o apoio de alguém uma ilusão. Contamos connosco, com o que sabemos fazer e o que a nossa viatura é capaz, limitada ao seu desenho e engenharia. Tiraremos tanto desse dia, quanto menores forem as ansiedades e preocupações. O efeito de uma noite mal dormida na véspera – por causa do receio do desconhecido criado pela consciência de não sabermos os nossos limites e os da viatura — transforma uma experiência de prazer num tormento, sofrendo muito por antecipação. Nove em cada dez vezes provará ser injustificada a preocupação, mas aquela que sobra torna-se tóxica, envenenando a viagem e a aventura. Preparámos a viatura o melhor que pudemos — por que não prepararmo-nos a nós mesmos, condutor e navegador?


Motivação

São muitas as motivações que levam cada um a participar numa acção de formação estruturada. A nossa é ganharmos tranquilidade e diminuir a ansiedade. Em viagem não se procura o obstáculo por ele mesmo — separa-nos do destino as dificuldades que transporemos, as quais precisaremos de saber avaliar quando se apresentarem. Estamos constantemente a analisar esse trinómio – viatura, piloto e terreno — e a tomar decisões que preservem a nossa integridade e segurança. — “Temos mais sorte quando estamos bem equipados e preparados” — diz o adágio popular, e isso não se esgota em comprar a melhor pá para desatascar, ou equipar o melhor guincho. Para nós, a motivação para esta formação é levarmos melhores ferramentas — mentais e de perícia — para avaliar o que se apresentar a cada milha da viagem.


Na brochura, o curso promete ser prático, propondo-se ao longo de dois dias ensinar as técnicas essenciais para condução fora de estrada com total segurança, considerando as especificidades da viatura e do condutor, indicado aos iniciantes ou para quem queira melhorar as suas capacidades. A promessa ajusta-se ao que precisamos.

(excerpto)


GALERIA DE IMAGENS E VÍDEO

É recomendado que se faça a aprendizagem de condução todo-o-terreno com a própria viatura, testando os seus limites, descobrindo as suas capacidades, para que a componente prática da formação atinja todo o potencial.

A nossa viatura de viagem não está preparada para entrar em provas de trialo, mas é um conjunto equilibrado. Esta experiência foi uma oportunidade de descoberta, de onde emergiram sugestões eficazes para a melhorar sem que sejam desajustadas.


1 — Baixinha com uma marreca

Podíamos ter deixado a tenda de tejadilho em casa, mas ao trazê-la replicamos de forma mais fiel as condições em que viajaremos. O equilíbrio de massas e distribuição de peso são influenciados pelos 70 kg que ela acrescenta, sentido nas curvas apertadas em areia feitas com acelerações e deslocações de massa laterais e nos exercícios de inclinação transversal, comprometendo ângulos mais desafiantes.


2 — Vistas curtas

Dentro do habitáculo facilmente se perde a visibilidade para os obstáculos que mergulham debaixo da carroçaria. Aqui entra o equipamento mais importante para vencer obstáculos — um co-piloto bem calçado para poder molhar o pézinho enquanto vai orientando onde colocar a roda e validar os ângulos de entrada e saída.


3 — Mata-Vacas

Não sendo politicamente correcto nos dias de hoje, torna-se difícil reconhecer a função prática para este “aparelho dos dentes” que apenas acrescenta peso ao conjunto. A considerar ficar em casa doravante, apesar de admitir gostar do ar mais agressivo que dá.


4— E as entradas são...

Sendo um modelo comprido, o ângulo de entrada é desafiado com mais frequência e em mais situações que carros mais “curtos”. Por várias ocasiões a abordagem a obstáculos mais altos leva a procurar linhas de aproximação cautelosas, sempre validadas pelo co-piloto.


5 — Bloqueio diferencial

Quando engrenada a tracção integral, o diferencial central é bloqueado, separando a distribuição de potência entre a frente e a traseira. Contudo, o diferencial dos semi-eixos permanece desbloqueado, sem qualquer ajuda electrónica ou de sensores de controlo de tracção ou ABS que poderiam simular o efeito do bloqueio inexistente, como os colegas de turma, Mitsubishi Pajero e Jeep Wrangler, tinham equipados.


6 — Suspensão em corpo são

Num modelo equipado com “molas de carroça” quase que se desculpa uma suspensão mais antiquada. Só que não. A suspensão é um dos elementos mais importantes, pois contribui para colocar a tração no chão. As duas décadas de anos já começam a pesar numa componente tão importante que não tardará a ser revista.


7 — Dança do ventre

O comprimento deste modelo compromete também o ângulo central, roçando a barriga com frequência nas negociações dos obstáculos mais acentuados, agravado pelos estribos equipados de origem na nossa Nissan Navara de 2000.


8 — Cruzados

A preocupação sempre presente é não ficar preso numa situação em que não anda nem para a frente, nem para trás. Para tal aprendemos a evitar os eixos cruzados, resultado de um conhecimento da geometria do conjunto, num compromisso que permita respeitar os ângulos de entrada, saída e ventral, sem ficar exposto a cruzamentos de eixos sem balanço suficiente. 


9 — Arrastar a cauda

Uma vez mais, o comprimento e distância entre eixos pioram os ângulos, neste caso o de saída, agravado pelas barras metálicas que servem de pára-choques traseiro.

oUTROS ENSAIOS DISPONÍVEIS